Nos últimos dias, uma pesquisa
feita pelo IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - tem causado certa
polêmica nas redes sociais. De acordo com tal pesquisa, 65% dos brasileiros
acham que a mulher que se veste de determinada maneira 'pede' para ser atacada
ou violentada. Sendo mais específica, se você andar na rua de short curto, você
será a culpada de qualquer ato violento que ocorrer. A pior parte, é que isso
foi fundamento na opinião pública. Uma opinião ignorante de 65% da população
brasileira é, ironicamente, 66,5% dos entrevistados durante as pesquisas,
mulheres!
Em um mundo perfeito, eu viria
aqui demonstrar minha indignação quanto à pesquisa. Eu falaria sobre como toda
mulher já foi tratada como um objeto por estranhos, sendo verbalmente,
virtualmente ou fisicamente. Eu diria que as frases feministas são formas de
levantar opiniões contra uma instituição e sua pesquisa pejorativa. Eu poderia
citar milhares de argumentos que iriam se perder no extenso mar da internet.
Mas o ponto é: essa pesquisa foi
feita por uma intuição - que, em minha opinião, poderia ter utilizado uma
melhor escolha de palavras durante o processo, já que nem sempre 'atacar' é
ligado ao estupro - e respondida por pessoas comuns; homens e mulheres, que
deram sua opinião sobre a situação apresentada. E agora, polêmica lançada, onde
está essa porcentagem? Onde estão essas pessoas? Afinal, a maioria concordou
com a culpa da mulher e sua minissaia; como mágica, essa maioria simplesmente
some no ar? Pesquisa lançada, temos uma mudança em massa de opinião ou uma
hipocrisia generalizada?
Nessa porcentagem, o 65%, está no
olhar que você compartilha com a sua amiga quando aquela moça com um decote
maior passa; no assovio que você dá quando olha uma bunda especialmente grande;
na passada de mão abusada no meio da balada. Essas pequenas ações geram essas
opiniões; ações geradas por uma cultura que banaliza a depreciação feminina.
Agora, em meio ao alvoroço, não
adianta lembrar que nenhuma mulher merece ser estuprada; que não importa a
roupa que usemos ou o caminho que percorremos, não merecemos ser estupradas;
que nossa carreira ou escolha sexual não importa, não merecemos ser estupradas.
Todos já devem estar cansados de saber disso, apenas está na hora de parar de
esquecer.


Sabemos que a maioria dos brasileiros defendem pena de morte, castração química e/ou prisão perpétua a estupradores, isso e um fato incontestável. Acredito claramente que essa pesquisa foi uma farsa.
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